Trabalharam. Nós Vimos.

O Reichsbank troca de diretor, o Senado resolve trabalhar e a imprensa finalmente pergunta: cadê o nosso Thaler?

Trabalharam. Nós Vimos.

 

12 de agosto de 2026

Por Estagiário do Jornal O Arauto

POTSDAM • FRANKFURT • NUREMBERG — A Germânia atravessou mais uma daquelas semanas em que os acontecimentos parecem perfeitamente normais quando vistos isoladamente, mas, quando colocados lado a lado, dão ao jornalista a impressão de que alguém resolveu testar quantas decisões administrativas podem caber em pouco espaço de tempo. Houve mudança na direção do Reichsbank, confirmação pelo Senado de novo responsável, decreto sobre a infraestrutura tecnológica do banco, convocatória do Senado, reforma constitucional, votação, encerramento de sessão e, no meio de tudo isso, uma constatação que talvez seja a mais importante de todas: o Senado Imperial está trabalhando quase todos os dias. O estagiário, diante disso, começa a suspeitar que alguém finalmente descobriu onde fica o interruptor.

O Reichsbank Troca de Diretor — E o Novo já Chega Mexendo Nos Computadores

A segunda-feira começou com uma mudança importante na administração econômica do Império. Pela Portaria Executiva nº 019-26, publicada em 10 de agosto, o Chanceler Imperial Karl Gustav exonerou, agradecendo pelos serviços prestados, Sua Ilustríssima Alteza Imperial Konrad Otto, Duque da Caríntia, do posto de Diretor do Reichsbank. Para exercer as funções, o Governo Imperial submeteu à consideração do Senado o nome de Sua Alteza Imperial August Heinrich, Conde Palatino de Frankfurt. Até aí, nada fora do extraordinário no universo da administração pública imperial: um dirigente deixa o cargo, outro é indicado e o Parlamento recebe a responsabilidade de apreciar a nomeação.

O curioso é que August Heinrich aparentemente não recebeu nem o tradicional período de adaptação. No dia seguinte, 11 de agosto, surgiu o Decreto nº 001-2026, estabelecendo o Sistema Vyšehrad, do BANISER, como plataforma tecnológica oficial destinada à operação digital do Reichsbank. A medida organiza a utilização da infraestrutura para processamento, escrituração, conservação, administração e integração das operações bancárias, além de tratar de segurança, autenticação, cópias de segurança, recuperação de dados e demais aspectos necessários que esse estagiário não entende bulhufas.

A mudança é particularmente interessante porque demonstra que a transição na direção do Reichsbank não ocorreu isoladamente. Ao mesmo tempo em que o Senado apreciava a indicação do novo diretor, o Governo já avançava na organização da estrutura tecnológica que dará suporte às atividades da instituição. Em outras palavras, o novo responsável ainda estava chegando à porta quando aparentemente alguém já lhe entregou uma pasta dizendo: “Aqui está o banco. E estes são os servidores, se vira nos 30.”

Não se trata, naturalmente, de uma mudança da natureza ou das competências do Reichsbank. A instituição continua inserida na estrutura econômica do Império e mantém suas atribuições próprias. O que se estabelece é uma nova infraestrutura para apoiar sua operação, em uma demonstração bastante objetiva de que a Germânia, quando decide modernizar alguma coisa, às vezes prefere fazer isso de uma vez só.

O Arauto acompanhará a implementação da novidade com o mesmo interesse que dedica a todas as grandes transformações da sociedade germânica. Afinal, um banco pode sobreviver a mudanças de diretor, reformas administrativas e debates parlamentares. O que ninguém sabe ainda é se o estagiário conseguirá sobreviver ao dia em que alguém decidir atualizar o sistema de edição do Arauto.

Trabalhar Todos os Dias? Os Senadores Flertam com o Burnout — E Depois Tomam Rumo de Casa

A 17ª Convocatória foi publicada no dia 10 de agosto e, às 22h, os Senadores já estavam discutindo, votando e propondo reformas. O Senado, aparentemente, redescobriu o conceito de expediente e resolveu levá-lo a sério. Sob o comando do Orador, Sua Majestade o Rei de Württemberg, a Casa vem trabalhando praticamente todos os dias, para desespero de uma única pessoa: o estagiário deste modesto jornal, que já não sabe se está acompanhando o Senado ou sendo perseguido por ele. Há quem diga que Württemberg simplesmente TRANCAFIOU OS SENADORES NO PALÁCIO e avisou que ninguém sairia enquanto a pauta não terminasse. Naturalmente, como este estagiário não tem medo do que vem depois do desencarne, foi cutucar a onça com vara curta.

O Arauto: Majestade, é verdade que o senhor trancou os Senadores dentro do Palácio?

Württemberg: Tranquei mesmo, garoto. Agora vá escrever para o Arauto, ou o próximo será você.

A entrevista OBVIAMENTE terminou naquele instante. — Eu não sou bobo e voltei para a saleta que o meu amado, faraônico, elegantérrimo e apoteótico chefe concedeu para a redação do seu próprio jornal. E, pelo visto, os Senadores também não tiveram muita escolha: a Proposta de Emenda Constitucional nº 005/2026 foi discutida, recebeu alterações e acabou aprovada; a indicação de August Heinrich para a Direção do Reichsbank foi confirmada, completando o movimento iniciado pela exoneração de Konrad Otto; e, depois de toda essa trabalheira, a sessão finalmente foi encerrada. Nem tudo, porém, foi resolvido: a alteração da denominação do próprio Senado Imperial acabou retirada de pauta e poderá voltar em convocatória posterior. Ou seja, os Senadores reformaram a Constituição, confirmaram o novo diretor do banco — e o doido (te amo chefinho) do Württemberg retirou de pauta. O Arauto não pretende interferir nessa delicadíssima questão de Estado. O estagiário, por sua vez, agradece a produtividade do Senado, mas gostaria de lembrar que TAMBÉM POSSUI UMA CASA para onde pretende tomar rumo algum dia.

JORNALISTAS DE TODA A GERMÂNIA, UNI-VOS!

Desde 2022, a legislação imperial prevê, TECNICAMENTE, o pagamento de 1 Thaler a cada 10 palavras produzidas pela imprensa. Eu digo “tecnicamente” porque, depois de quatro anos trabalhando neste jornal, em dois países diferentes, ainda não descobri onde fica o cofre, quem tem a chave ou se esse Thaler sequer possui pernas para eventualmente chegar até nós. Nunca houve pagamento. Nenhum. Zero. Nada. O subsídio existe na lei com a mesma eficiência de um bidê: está lá, ocupa espaço e não serve absolutamente para coisa alguma.

Enquanto isso, eu passo horas lendo decretos, portarias, projetos, convocações, resoluções e documentos que parecem ter sido escritos especificamente para testar os limites da resistência humana. Depois preciso entender o que li, descobrir o que aconteceu, escrever a matéria, revisar, editar, tentar encontrar uma piada no meio do desastre e ainda ter coragem de debochar de Governo, Senado, Dieta, Príncipes e Chefes de Estado sabendo perfeitamente que algum deles pode resolver transformar a próxima reunião diplomática em uma oportunidade para perguntar por que diabos eu escrevi aquilo. E eu continuo noticiando. Estado ativo? Eu cubro. Estado inativo há anos? Eu cubro também. Senado trabalha até às dez da noite? Estou lá. O psicótico do Württemberg resolve trancar Senadores no Palácio? Vou atrás dele. Württemberg me ameaça pessoalmente? Volto para a redação e escrevo a matéria. Isso é jornalismo. E, aparentemente, também é uma excelente maneira de descobrir que 1 Thaler dividido por dez palavras compra exatamente nada.

Agora vamos falar sério, porque O Arauto também sabe “bater” quando precisa:

1 Thaler para cada 10 palavras é uma sacanagem!

Não é “baixo”. Não é “um pouco defasado”. É uma dessas maravilhas legislativas que provavelmente pareciam razoáveis em uma sala, foram aprovadas, ninguém mais olhou e desde então ficaram mofando tranquilamente enquanto a imprensa continuava fazendo o trabalho. Quem escreve sabe o tempo que uma matéria consome. Quem lê uma notícia pronta não vê as horas gastas lendo tudo o que veio antes dela, procurando informações, conferindo documentos, organizando fatos, escolhendo palavras e tentando transformar uma montanha de burocracia chata em algo que um ser humano normal queira ler.

Por isso, O Arauto defende que a reforma da Lei de Imprensa estabeleça 1 Thaler por palavra, e defende mais: o pagamento retroativo de todo o trabalho realizado, recalculado pelo novo valor. Se o Estado reconhece que a imprensa deveria receber, não pode simplesmente fingir que os últimos quatro anos evaporaram no ar. Jornalista trabalhou. Jornalista escreveu. Jornalista produziu memória institucional. Paguem. E não venham com aquela história de que “não havia previsão orçamentária”, porque nós também não tínhamos previsão de passar nossas noites lendo atas, decretos e projetos, mas cá estamos!

E antes que alguém diga que estou defendendo isso porque Württemberg, esse royal capitalista safado, dono do maior conglomerado de mídia da Germânia, ganharia uma fortuna com a medida, eu respondo: SIM. E daí? Ele ganharia, os grandes jornais ganhariam, os pequenos jornais ganhariam, os jornais que ainda nem existem ganhariam e qualquer maluco que amanhã resolver fundar um periódico em algum canto perdido do Império também teria direito ao mesmo tratamento, se não for um fabricador de lero-lero. É justamente por isso que a reforma é mais do que justa. Não quero um privilégio para O Arauto.

Quero uma regra que reconheça o trabalho de toda a imprensa germânica.

E, neste ponto, cabe parabenizar o Governo Imperial: diante de tantos fantasmas administrativos acumulados ao longo dos anos, o Governo vem demonstrando disposição para ouvir, modernizar e enfrentar problemas que poderiam muito convenientemente continuar esquecidos. Isso é ser solícito. Isso é olhar para uma legislação antiga e dizer que talvez seja hora de fazer alguma coisa a respeito. Então, Governo Imperial, nossos sinceros parabéns: agora façam o favor de não deixar esse assunto morrer na gaveta. À Dieta, o nosso pedido é simples: PAUTEM A REFORMA!

Aos jornalistas, fica o chamado: JORNALISTAS DE TODA A GERMÂNIA, UNI-VOS! E ao meu chefe, Sua Majestade, o Rei de Württemberg, fica um último aviso: sabemos que Vossa Majestade vai ganhar dinheiro com isso, SEU DESGRAÇADO. Mas desta vez pode ganhar. É justo. Porque depois de anos escrevendo, lendo, apanhando, debochando, arrumando confusão e, acima de tudo, NUNCA DEIXANDO DE NOTICIAR, já passou da hora de o Thaler deixar de ser uma criatura mitológica da legislação imperial.

O Estagiário


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