Do Trono às Justas: Um Ano de Württemberg
26 de janeiro de 2026
Por Editor-Chefe do Jornal O Arauto
LUDWIGSBURG, WÜRTTEMBERG — No dia 25 de janeiro, há exatamente um ano, Frederik II subia ao trono de Württemberg sob olhares atentos, promessas contidas e um silêncio que muitos confundiram com hesitação. Um ano depois, o Reino respondeu com lanças erguidas, cavalos em disparada, risos cuidadosamente controlados e uma celebração que conseguiu o raro feito de ser, ao mesmo tempo, festiva e politicamente eloquente.
O primeiro aniversário da entronização não foi apenas uma comemoração. Foi uma demonstração. Entre estandartes, arquibancadas de madeira, armaduras reluzentes e convidados que dispensam apresentações longas, Württemberg deixou claro que a Coroa não apenas permanece — ela se diverte permanecendo.
O Torneio de Justa e a Arte de Cair com Dignidade
O ponto alto do dia, como manda a boa tradição medieval (e o gosto pessoal do Rei), foi o grande torneio de justa realizado nos campos adjacentes ao Palácio de Ludwigsburg. Cavaleiros vindos de diversos reinos alinharam-se sob o olhar atento da nobreza e do povo, enquanto arautos anunciavam nomes com entonações que variavam entre o épico e o exagerado.
Frederik II assistiu a tudo do camarote real, ao lado da Rainha, visivelmente satisfeita — embora tenha sido flagrada levando a mão ao rosto em pelo menos duas ocasiões, quando cavaleiros excessivamente confiantes foram separados de seus cavalos com velocidade didática.
O momento mais comentado, contudo, ocorreu quando o próprio Rei, em um gesto que dividiu conselheiros entre pânico e resignação, decidiu participar de uma justa simbólica. A promessa era simples: uma corrida leve, sem impacto real. A realidade, como sempre, mostrou-se mais criativa.
O Rei não caiu. Tecnicamente.
Mas a lança adversária encontrou seu escudo com entusiasmo suficiente para deslocá-lo alguns bons centímetros para trás, provocando um silêncio coletivo seguido por risos contidos — exceto o do próprio Frederik II, que foi o primeiro a rir, erguer a mão e declarar:
“Anotem: continuo melhor governando do que galopando.“
A anotação foi imediatamente considerada um decreto tácito.
“À esquerda, o Rei de Württemberg, em plena justa, inclina-se perigosamente após o impacto: prova viva de que a coragem régia é inquestionável, ainda que o equilíbrio — como toda virtude humana — às vezes traia até mesmo um soberano.”
A Rainha, o Vinho e a Diplomacia Não Escrita
A Rainha de Württemberg esteve presente em todos os momentos centrais da celebração, exercendo com precisão aquilo que cortesãos mais atentos descrevem como “autoridade serena”. Foi vista conversando longamente com a Imperatriz da Germânia, rindo discretamente com a Rainha da França e intervindo com elegância quando dois jovens nobres disputavam, de forma excessivamente apaixonada, a posse de um banco à sombra.
Em determinado momento, ao perceber que o Rei havia sido servido com uma terceira taça de vinho antes mesmo do pôr do sol, a Rainha aproximou-se e comentou, em tom audível apenas para os mais próximos:
“Majestade, lembre-se de que aniversários passam. Discursos improvisados, infelizmente, ficam.”
O Rei obedeceu. Parcialmente.
As Coroas Reunidas em Württemberg
O evento reuniu um conjunto de convidados que, por si só, transformaria qualquer celebração em uma cúpula política informal.
Estiveram presentes o Imperador e a Imperatriz da Germânia, sogros do Rei e observadores atentos de cada gesto; o Imperador de Deltária, irmão de Frederik II, visto apostando discretamente nos resultados das justas; o Rei da Baviera; o Rei da Prússia e Príncipe de Luxemburgo, acompanhado da Grã-Duquesa de Luxemburgo e Rainha da Prússia, filha do Rei; o Príncipe de Liechtenstein, filho de Frederik II; o Rei de Aragão e o Príncipe Herdeiro da Boêmia, ambos cunhados atentos; o Rei de Esparta e Grão-Duque de Mecklemburgo; o Rei e a Rainha da França, acompanhados do Delfim; o Rei da Kováquia; e o Rei de Bauru e São Vicente.
A composição do círculo régio, diversa e cuidadosamente equilibrada, reforçou a leitura de que Württemberg, sob Frederik II, mantém-se plenamente integrado às grandes dinâmicas do espaço europeu e americano micronacional — sem ruído, sem improviso e com presenças que falam por si.
Pequenos Incidentes, Grandes Risadas
Nem só de política e lanças viveu a celebração. Um grupo de músicos errou solenemente o tom ao tentar executar um hino antigo, sendo gentilmente corrigido pelo próprio Rei, que começou a cantar — errado, mas com convicção suficiente para que os músicos o seguissem.
Em outro momento, um falcão treinado decidiu abandonar seu posto e pousar no ombro do Rei da Baviera, que reagiu com dignidade exemplar, embora tenha sido ouvido murmurando algo pouco apropriado para registro oficial.
Um Ano de Coroa, Um Reino em Movimento
Ao final do dia, já com o céu escurecendo e tochas acesas, Frederik II levantou-se para um breve pronunciamento. Breve, mas preciso.
“Há um ano, recebi uma Coroa. Desde então, aprendi que governar é saber quando falar, quando agir — e quando rir de si mesmo. Württemberg continua. E continuará.”
Não houve grandes anúncios. Não houve promessas inflamadas. Apenas a sensação clara de que, em Württemberg, o trono não é estático — ele observa, responde e, ocasionalmente, participa da justa.
E assim, sob aplausos, vinho e comentários sussurrados, Württemberg seguiu noite adentro, certo de que seu Rei completou um ano de Coroa exatamente como começou: fazendo com que todos prestassem atenção.
Nota de Corte I | Cúria Real em Sessão Extraordinária
Enquanto os ecos das justas ainda ressoavam nos campos de Ludwigsburg, a Cúria Real de Württemberg reuniu-se em caráter reservado após comunicação formal do Arauto Imperial: as pensões destinadas aos Príncipes Imperiais cessaram e, de forma pouco poética, não há numerário suficiente para mantê-las.
O Rei tratou de acalmar os ânimos informando que a Cúria passará a ser remunerada, ainda que a solução definitiva exija criatividade, contenção e — segundo ele próprio — “algumas noites mal dormidas“.
Diante da situação, iniciou-se o debate de uma Lei de Terras, pela qual os nobres que detêm desde pequenos senhorios até Condados em Württemberg passariam a contribuir com uma anuidade pelo usufruto da terra.
As discussões seguem. Os cofres, por ora, não.
Nota de Corte II | A Dieta e o Estranho Bom Humor Real
A convocação da Dieta Imperial produziu um acontecimento considerado inédito pelos registros do Palácio de Württemberg: o Rei pulou de alegria. Literalmente. Testemunhas relatam que Frederik II foi visto batendo as pernas, rindo sozinho pelos corredores e repetindo frases como “acabou”, “enfim” e “louvada seja a Dieta”, comportamento geralmente associado a libertações, não a processos legislativos.
Em meio ao entusiasmo, Sua Majestade declarou — sem qualquer intenção de sussurro — que odeia política partidária, que ser Senador é uma experiência surpreendentemente pacífica.
Segundo assessores que tentaram acompanhá-lo (sem sucesso), o Rei afirmou que reza diariamente para ser demitido do Governo Imperial, de preferência de forma rápida, sem solenidade, discurso ou comissão de transição, para então dedicar-se exclusivamente ao Reino de Württemberg e à Reichslegion — “onde as ordens são curtas, claras e ninguém pede relatório triplo com prazo retroativo“.
Encerrando o resmungo — já sentado, visivelmente aliviado — Frederik II mencionou, com ar de absoluta casualidade, que pretende tirar férias em um vale tranquilo, cortado por um rio antigo chamado Argeș, observação registrada como irrelevante por muitos, mas imediatamente compreendida por quem sabe que, em Württemberg, até as férias costumam ter implicações geopolíticas.
A Corte esclarece que se trata apenas do típico humor do monarca.
Quem souber entender, entendeu.
Quem não souber… provavelmente convocará outra reunião.

