O Eleitor Reaparece — E Não Foi Para Tomar Suco de Uva
26 de fevereiro de 2026
Por Editor-Chefe do Jornal O Arauto
LUDWIGSBURG / MESPELBRUNN / DISCHINGEN — Há visitas anunciadas com semanas de antecedência, com comissões organizadoras, bandeiras passadas a ferro e discursos ensaiados diante do espelho. E há visitas que começam às cinco da manhã, discretas como um decreto publicado antes do café. Foi exatamente nesse horário — 05h00 em ponto — que, segundo a lista de voos consultada por esta redação (porque jornalismo também é acordar cedo), pousou em Mespelbrunn, na Baixa Francônia, Sua Majestade o Lorde Rei da Nova Normandia, Karl III Friedrich, Rei Emérito da Prússia, Eleitor do Império, Margrave de Königsberg, Landgrave da Turíngia, Conde Palatino de Eisenach, Senhor de Wittenberg, Príncipe de Mespelbrunn — entre outros títulos que exigem pausa para respiração. A última vez que o soberano normando esteve em solo germânico foi em 2021. Desde então, silêncio. Até agora.
05h37 — A Entrevista Antes do Café (e Antes da Teoria da Conspiração)
Informada da aterrissagem, a equipe editorial do O Arauto deslocou-se imediatamente ao Castelo de Mespelbrunn, onde, após negociações diplomáticas com assessores ainda sonolentos, obtiveram acesso exclusivo ao Margrave de Königsberg.
Duas perguntas foram formuladas — objetivas como convém a uma visita inesperada:
O Arauto: “Majestade, após anos de ausência, o que motivou Vossa vinda repentina à Francônia nesta alvorada silenciosa?”
Karl III: “Puramente social. Para conhecer as belezas do mais novo Principado Imperial Germânico, com o qual Soberano já tenho relações externar muito próximas.“
O Arauto: “Devemos interpretar esta visita como gesto pessoal, movimento político ou prelúdio de algo maior no tabuleiro imperial?”
Karl III: “Não fui comunicado para nada oficial, mas na qualidade de mais antigo nobre germânico, hoje estrangeiro, sinto-me honrado e estou à disposição para qualquer assunto de vulto maior ao sabor de um delicioso café das residências imperiais. A Boêmia tem a fama das melhores cervejas do mundo, porém, minha degustação são reservadas para no máximo um bom suco de uva!!!“
A recepção no Castelo de Taxis: quando protocolo vira fotografia histórica
Se a chegada às cinco da manhã foi discreta, a recepção em Dischingen foi mesopotâmica. Na entrada do Castelo de Taxis, uma comitiva de Cavaleiros da Ordem da Floresta Negra aguardava alinhada. Capas negras, insígnias reluzentes — nada ali era improviso. A fronteira bavaro-vurtemberguesa sabe receber.
Foto capturada pela equipe do Arauto.
Quando o Rei da Nova Normandia desceu do veículo e avançou pelo tapete vermelho, foi recebido pessoalmente pelo Rei de Württemberg. O aperto de mãos entre ambos foi visivelmente firme e demorado e foi igualmente capturado pelas lentes presentes. Não se tratava de cumprimento casual entre velhos conhecidos; era imagem cuidadosamente enquadrada para atravessar semanas, talvez meses, de especulação na velha Europa e na América.

O Almoço em Taxis: Diplomacia à Mesa, com Safra Selecionada
Superado o momento fotográfico na entrada do Castelo de Taxis — devidamente registrado para arquivos — os Reis e o Géomètre Royal dirigiram-se aos jardins para o que foi oficialmente descrito como “almoço de cortesia”.
Servido com a carne de caça que Württemberg caçou dias atrás e regado de vinho, o almoço transcorreu sob clima de conversa amigável. Nada de discursos. Nada de brindes excessivos. Apenas taças erguidas e boas risadas.

Foi nesse ambiente que o editorial testemunhou um momento curioso, Württemberg com a naturalidade de quem entrega um guardanapo, colocou sobre a mesa um documento de capa discreta. Via-se de longe a logo do escritório Hohenzollern & Riedenberg e foi entregue ao Rei Normando sem anúncio, sem leitura pública e sem qualquer teatralidade.
O Margrave de Königsberg folheou as primeiras páginas atentamente. O Géomètre Royal inclinou-se levemente para observar — apoiado nas muletas, firme como um compasso humano. Nenhuma palavra foi registrada. Mas, convenhamos, certos documentos não precisam ser lidos em voz alta para alterar atmosferas.
Se houve sobremesa diplomática, foi servida fria.
A Caça em Dischingen: Onde a Pontaria Também É Institucional
Encerrado o almoço, a comitiva deslocou-se para as áreas rurais circundantes ao castelo, onde se realizou uma breve — e cuidadosamente planejada — caça a patos. “Breve”, aqui, é termo relativo. Em Württemberg, até o lazer obedece a roteiro.
O Rei Normando demonstrou uma pontaria muito boa, ainda que não tão precisa quanto seu interesse pelas terras locais. Observadores relatam que, entre um disparo e outro, surgiram perguntas técnicas: extensão territorial disponível, regime de tenência, limites administrativos, possibilidades de aquisição sob a nova Lei Fundamental das Terras.

O Géomètre Royal, figura que desafia simultaneamente o tempo, a ortopedia e a lógica da gravidade, avançava pelo terreno com suas muletas como se fossem instrumentos topográficos. Muito velho? Sem dúvida. Lento? Jamais. Óculos? Nunca usou. Segundo fontes próximas, ele mede desníveis pelo instinto e identifica marcos geográficos pelo cheiro da vegetação.
Em determinado momento, foi visto cravando discretamente sua bengala no solo, como quem testa não apenas a firmeza da terra, mas a fertilidade da propriedade.
Se a caça foi esportiva, o interesse fundiário foi meticulosamente sério.
Ao fim da tarde, ficou claro que a visita não se resumiu a cortesia protocolar. Entre vinho, documento misterioso e avaliação topográfica improvisada, Dischingen testemunhou algo maior do que um reencontro entre amigos.
Testemunhou movimento.
E quando se movem, a Europa presta atenção — mesmo que finja não perceber.
Próximo Destino: Praga
A estadia do Margrave em Dischingen estender-se-á até o fim do domingo. No domingo, seguirá para Praga, onde será oficialmente recebido por Sua Germânica Majestade Imperial, o Imperador Ferdinand V, sobrinho do Rei Normando. Entre Taxis e a recepção imperial, desenha-se uma sequência que dificilmente pode ser chamada de casual.
Quando um Eleitor retorna após quatro anos de silêncio, pousa às cinco da manhã e recebe um parecer no meio do almoço, é prudente prestar atenção.
E, como sempre, O Arauto estava acordado para registrar.
Nota de Corte I — O Ferro que Não Enferruja
O Vyšehrad Noviny (jornal-mãe da Germânia) aventou, a hipótese de que Württemberg estaria de saída. Alguns já ensaiaram suspiros de alívio.
A pergunta que paira no ar: será que sai? E, se sair, quando?
Amanhã não. Isso é certo.
Mas em futuro próximo, para descanso de uns e insônia de outros?
Em Taxis, nenhuma carta foi assinada. Nenhum adeus foi ensaiado. Apenas silêncio. E um olhar que não costuma ser interpretado corretamente por quem torce cedo demais.
Porque o Chanceler de Ferro não cai por desgaste, não cede por expectativa e, muito menos, sai para satisfazer plateias.
Se houver partida, será no tempo dele.
E, até lá, recomenda-se prudência a quem já começou a comemorar.
Nota de Corte II — Por Que Taxis?
A pergunta começou a circular em Praga: por que raios Württemberg não sai de Taxis?
Por que Dischingen, na divisa bávara, e não o retorno imediato a Ludwigsburg, onde o trono permanece — juntando poeira — esperando apenas que alguém se sente?
Seria estratégia?
Seria conveniência?
Ou o exercício quase filosófico de “usucapir” aquilo que, juridicamente, já é seu por concessão imperial?
Há quem veja simbolismo geográfico onde talvez exista apenas preferência paisagística. Há quem interprete silêncio como cálculo e distância como mensagem.
Fontes próximas ao soberano limitam-se a afirmar que, às vezes, permanecer no que é seu não exige ocupação constante — exige apenas consciência de domínio.
Taxis, dizem, oferece boa caça, bons vinhos e excelente vista.
Quanto ao resto, talvez o monarca esteja apenas aguardando que a normalidade volte a ser… normal.
